Vai mesmo? Vai chamar um helicóptero e jogar flores, gritar meu nome, colocar foco de luz e tudo o mais? Vai mesmo?
Ai!
Não sei mais se quero.
Não sei. Que se antes foi óbvio que esse tom era o exato, por um momento desacreditei de tudo. Sofri uma dor mais de saudade ou nostalgia, da perda de uma vida que não me pertence mais, e que não desejo assim em grande parte.
Agora estou no Meio do caminho.
[Só que trouxe você pro meio da rua. Não sei se foi correto. Eu sempre tenho a preocupação de saber se foi. É uma garantia pra mim]
Então, no meio do caminho, penso que no volume baixinho, como a música do meu quarto, funcionava bem. Que não precisa estar tudo no megafone. Que tá frio. Que talvez as terças sejam mais chatas. Que eu não entendo a minha necessidade de insistir, repetir. Muito menos de falar.
Esquece tudo. Fecha os olhos. Deita aqui. Me manda parar de pensar tanto e de despencar sempre. Eu já disse que obedeço. Quase sempre.
Quem enfiou essa faca no meu estômago fui eu.
segunda-feira, 7 de junho de 2010
sábado, 5 de junho de 2010
Suspensão
Eu não gosto desse lugar
Mas hoje preciso dele
O tempo pra que eu pense
sinta
A confusão não me deixa colocar em palavras ainda o resto
Há uma cisão que não sintetizou nada ainda
Fico aqui.
O sono me traz aquilo que a concentração não alcança.
Mas hoje preciso dele
O tempo pra que eu pense
sinta
A confusão não me deixa colocar em palavras ainda o resto
Há uma cisão que não sintetizou nada ainda
Fico aqui.
O sono me traz aquilo que a concentração não alcança.
segunda-feira, 31 de maio de 2010
Chateação (boba)
Você disse que não está me esperando
Eu estou
Eu espero a você
E a mim
Eu espero você porque espero (e quero)
ver você de novo
ver você logo
que você me espere
não ter que esperar você
Devo ser boa em esperar
porque continuo
mesmo não sabendo
espero
Até mesmo desistir disso
porque nem você esperará que eu não a espere
nem que eu saiba que você não está me esperando
E eu não esperarei que alguém canse disso
Eu estou
Eu espero a você
E a mim
Eu espero você porque espero (e quero)
ver você de novo
ver você logo
que você me espere
não ter que esperar você
Devo ser boa em esperar
porque continuo
mesmo não sabendo
espero
Até mesmo desistir disso
porque nem você esperará que eu não a espere
nem que eu saiba que você não está me esperando
E eu não esperarei que alguém canse disso
segunda-feira, 17 de maio de 2010
Rapidinho e urgente
vou explodir
aí não vou terminar de pintar a pratelheira de vermelho, a casa não será limpa, continuará sem mesa, minha prova vai ficar em branco, o livro não será lido, a peça não será assistida, o banho não será tomado, a comida não será feita, o estômago permanecerá vazio
(explodi)
aí não vou terminar de pintar a pratelheira de vermelho, a casa não será limpa, continuará sem mesa, minha prova vai ficar em branco, o livro não será lido, a peça não será assistida, o banho não será tomado, a comida não será feita, o estômago permanecerá vazio
(explodi)
domingo, 16 de maio de 2010
Temporalidade
Quando a gente é criança, aprende a dar nome às coisas.
Quando a gente cresce, a não dar.
Quando a gente cresce, a não dar.
domingo, 9 de maio de 2010
Tinha vontade de (te) dizer, mas não vou
não vou te dizer, porque na verdade é meu
que me incomoda "isso" não ter nome - me dá um ar clandestino, como se minha felicidade tivesse que ser quase. que ainda assim eu não quero namorar nesse segundo, porque acho que devo respeitar tempos e conhecer-nos mais. que queria que tudo desse certo e que a gente namorasse um dia, pra compensar. que, na verdade, eu não estou apaixonada, porque guardei esse nome pra uma coisa que já aconteceu na minha vida e não vai acontecer mais. que, na verdade, eu estou apaixonada, só que é outra paixão. que aquela paixão primeira, que a gente costuma ter aos 17 é única e não, ninguém vai ser igual e tão fantástico. que quando eu digo fantástico falo de fantasia e que fantasia é tudo o que a gente tem nessa época. que aos 22 não dá pra ser assim. que aos 22 a gente larga uma noite por uma tarde. que, assim, dormir se torna mais importante. que dormir fez toda a diferença. que quando você adormeceu no meu ombro na primeira noite, eu não quis me mexer pra você não acordar. que aquele foi o momento diferencial. que quando o c*** gritou pela manhã eu quis tapar a boca dele. que eu parei pra te observar dormindo. que eu paro sempre que posso pra te observar dormindo. que mais de sono que de sexo se constrói alguma coisa. que é a primeira vez que eu pareço - pra mim - construir alguma coisa. que estou num lugar onde nunca estive. que eu tenho medo que você se vá, como sempre tenho. que desa vez, por outro lado, prefiro que o faça a viver algo imposto. que na verdade, minha brincadeira nunca foi total. que eu inventei isso tudo.
que me incomoda "isso" não ter nome - me dá um ar clandestino, como se minha felicidade tivesse que ser quase. que ainda assim eu não quero namorar nesse segundo, porque acho que devo respeitar tempos e conhecer-nos mais. que queria que tudo desse certo e que a gente namorasse um dia, pra compensar. que, na verdade, eu não estou apaixonada, porque guardei esse nome pra uma coisa que já aconteceu na minha vida e não vai acontecer mais. que, na verdade, eu estou apaixonada, só que é outra paixão. que aquela paixão primeira, que a gente costuma ter aos 17 é única e não, ninguém vai ser igual e tão fantástico. que quando eu digo fantástico falo de fantasia e que fantasia é tudo o que a gente tem nessa época. que aos 22 não dá pra ser assim. que aos 22 a gente larga uma noite por uma tarde. que, assim, dormir se torna mais importante. que dormir fez toda a diferença. que quando você adormeceu no meu ombro na primeira noite, eu não quis me mexer pra você não acordar. que aquele foi o momento diferencial. que quando o c*** gritou pela manhã eu quis tapar a boca dele. que eu parei pra te observar dormindo. que eu paro sempre que posso pra te observar dormindo. que mais de sono que de sexo se constrói alguma coisa. que é a primeira vez que eu pareço - pra mim - construir alguma coisa. que estou num lugar onde nunca estive. que eu tenho medo que você se vá, como sempre tenho. que desa vez, por outro lado, prefiro que o faça a viver algo imposto. que na verdade, minha brincadeira nunca foi total. que eu inventei isso tudo.
sábado, 8 de maio de 2010
Percurso
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