Olá,
eu precisava lhe fazer essa visita. Essa eu sabia de que precisava, primeiro por dívida, depois por benefício.
Mas teve outra visita que eu fiz. Pior, também por dívida, mais que por benefício. E isso é bem ruim. Eu preferiria que fosse ao contrário. Mas ela ainda me liga, ainda me liga pra me dizer "onde você está? porque eu estou no mesmo lugar". A dívida que eu criei desde que existo não há como pagar, mas eu consegui dever mais que a maioria e dever isso duas vezes. Como faço? Tudo bem, sou grata. Sou grata do tipo que bom que ela fez tudo isso, graças a Deus que ela fez tudo isso, porra... mais que tudo. Mas e aí? Ainda assim, não pedi. A gente pode dever o que não pede? Pode pagar aquilo que não tem?
Ela diz ser diferente desde pequena. Inicialmente parece ter conseguido um bom desenvolvimento, até destaque. Quando estourou a casca do seu ovo, congelou. Sempre se machucou muito, desde o início, e quando precisou do corpo ele não respondeu. A inércia prevaleceu. A partir de então começou a degenerar. Suas funções, que necessitavam do coitado do corpo, foram sendo perdidas. Ela guardou uma. Guardou a melhor.
Poder-se-ia dizer que essa precisa mais apenas da vida que as outras. Ou não. Vai ver ela é muito isso, esqueceu do resto. Prioridades, vai saber... Fato é que ela passou a definir-se mais por essa função que por si.
E agora, que faço eu se tiver de dizer a essa mulher que essa função não é mais aquela?
Ela diz que prefere que não a visite mais. Eu prefiria que as minhas visitas fosse menos culpadas. Que alegrassem em vez de lembrar a dor. Pode a presença não lembrar a falta?
domingo, 1 de agosto de 2010
quinta-feira, 15 de julho de 2010
terça-feira, 29 de junho de 2010
terça-feira, 22 de junho de 2010
Antiga, da cama
Podia chover essa semana. Aí você viria me pedir abrigo. Sua mãe entenderia. Seu cachorro sentiria falta, mas seria recompensado com mais espaço na cama e uma surpresa. Falaríamos até as três da manhã. Você faria perguntas indiscretas. Daria respostas certeiras. Você me mostraria novamente suas cicatrizes. Eu iria abraçá-la. Chorando e rindo. Quase em silêncio. Sem saber por quem. Querendo tudo de novo e tudo diferente depois.
Querendo tudo.
Sentindo muito.
Querendo tudo.
Sentindo muito.
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Vai mesmo? Vai chamar um helicóptero e jogar flores, gritar meu nome, colocar foco de luz e tudo o mais? Vai mesmo?
Ai!
Não sei mais se quero.
Não sei. Que se antes foi óbvio que esse tom era o exato, por um momento desacreditei de tudo. Sofri uma dor mais de saudade ou nostalgia, da perda de uma vida que não me pertence mais, e que não desejo assim em grande parte.
Agora estou no Meio do caminho.
[Só que trouxe você pro meio da rua. Não sei se foi correto. Eu sempre tenho a preocupação de saber se foi. É uma garantia pra mim]
Então, no meio do caminho, penso que no volume baixinho, como a música do meu quarto, funcionava bem. Que não precisa estar tudo no megafone. Que tá frio. Que talvez as terças sejam mais chatas. Que eu não entendo a minha necessidade de insistir, repetir. Muito menos de falar.
Esquece tudo. Fecha os olhos. Deita aqui. Me manda parar de pensar tanto e de despencar sempre. Eu já disse que obedeço. Quase sempre.
Quem enfiou essa faca no meu estômago fui eu.
Ai!
Não sei mais se quero.
Não sei. Que se antes foi óbvio que esse tom era o exato, por um momento desacreditei de tudo. Sofri uma dor mais de saudade ou nostalgia, da perda de uma vida que não me pertence mais, e que não desejo assim em grande parte.
Agora estou no Meio do caminho.
[Só que trouxe você pro meio da rua. Não sei se foi correto. Eu sempre tenho a preocupação de saber se foi. É uma garantia pra mim]
Então, no meio do caminho, penso que no volume baixinho, como a música do meu quarto, funcionava bem. Que não precisa estar tudo no megafone. Que tá frio. Que talvez as terças sejam mais chatas. Que eu não entendo a minha necessidade de insistir, repetir. Muito menos de falar.
Esquece tudo. Fecha os olhos. Deita aqui. Me manda parar de pensar tanto e de despencar sempre. Eu já disse que obedeço. Quase sempre.
Quem enfiou essa faca no meu estômago fui eu.
sábado, 5 de junho de 2010
Suspensão
Eu não gosto desse lugar
Mas hoje preciso dele
O tempo pra que eu pense
sinta
A confusão não me deixa colocar em palavras ainda o resto
Há uma cisão que não sintetizou nada ainda
Fico aqui.
O sono me traz aquilo que a concentração não alcança.
Mas hoje preciso dele
O tempo pra que eu pense
sinta
A confusão não me deixa colocar em palavras ainda o resto
Há uma cisão que não sintetizou nada ainda
Fico aqui.
O sono me traz aquilo que a concentração não alcança.
segunda-feira, 31 de maio de 2010
Chateação (boba)
Você disse que não está me esperando
Eu estou
Eu espero a você
E a mim
Eu espero você porque espero (e quero)
ver você de novo
ver você logo
que você me espere
não ter que esperar você
Devo ser boa em esperar
porque continuo
mesmo não sabendo
espero
Até mesmo desistir disso
porque nem você esperará que eu não a espere
nem que eu saiba que você não está me esperando
E eu não esperarei que alguém canse disso
Eu estou
Eu espero a você
E a mim
Eu espero você porque espero (e quero)
ver você de novo
ver você logo
que você me espere
não ter que esperar você
Devo ser boa em esperar
porque continuo
mesmo não sabendo
espero
Até mesmo desistir disso
porque nem você esperará que eu não a espere
nem que eu saiba que você não está me esperando
E eu não esperarei que alguém canse disso
segunda-feira, 17 de maio de 2010
Rapidinho e urgente
vou explodir
aí não vou terminar de pintar a pratelheira de vermelho, a casa não será limpa, continuará sem mesa, minha prova vai ficar em branco, o livro não será lido, a peça não será assistida, o banho não será tomado, a comida não será feita, o estômago permanecerá vazio
(explodi)
aí não vou terminar de pintar a pratelheira de vermelho, a casa não será limpa, continuará sem mesa, minha prova vai ficar em branco, o livro não será lido, a peça não será assistida, o banho não será tomado, a comida não será feita, o estômago permanecerá vazio
(explodi)
domingo, 16 de maio de 2010
Temporalidade
Quando a gente é criança, aprende a dar nome às coisas.
Quando a gente cresce, a não dar.
Quando a gente cresce, a não dar.
domingo, 9 de maio de 2010
Tinha vontade de (te) dizer, mas não vou
não vou te dizer, porque na verdade é meu
que me incomoda "isso" não ter nome - me dá um ar clandestino, como se minha felicidade tivesse que ser quase. que ainda assim eu não quero namorar nesse segundo, porque acho que devo respeitar tempos e conhecer-nos mais. que queria que tudo desse certo e que a gente namorasse um dia, pra compensar. que, na verdade, eu não estou apaixonada, porque guardei esse nome pra uma coisa que já aconteceu na minha vida e não vai acontecer mais. que, na verdade, eu estou apaixonada, só que é outra paixão. que aquela paixão primeira, que a gente costuma ter aos 17 é única e não, ninguém vai ser igual e tão fantástico. que quando eu digo fantástico falo de fantasia e que fantasia é tudo o que a gente tem nessa época. que aos 22 não dá pra ser assim. que aos 22 a gente larga uma noite por uma tarde. que, assim, dormir se torna mais importante. que dormir fez toda a diferença. que quando você adormeceu no meu ombro na primeira noite, eu não quis me mexer pra você não acordar. que aquele foi o momento diferencial. que quando o c*** gritou pela manhã eu quis tapar a boca dele. que eu parei pra te observar dormindo. que eu paro sempre que posso pra te observar dormindo. que mais de sono que de sexo se constrói alguma coisa. que é a primeira vez que eu pareço - pra mim - construir alguma coisa. que estou num lugar onde nunca estive. que eu tenho medo que você se vá, como sempre tenho. que desa vez, por outro lado, prefiro que o faça a viver algo imposto. que na verdade, minha brincadeira nunca foi total. que eu inventei isso tudo.
que me incomoda "isso" não ter nome - me dá um ar clandestino, como se minha felicidade tivesse que ser quase. que ainda assim eu não quero namorar nesse segundo, porque acho que devo respeitar tempos e conhecer-nos mais. que queria que tudo desse certo e que a gente namorasse um dia, pra compensar. que, na verdade, eu não estou apaixonada, porque guardei esse nome pra uma coisa que já aconteceu na minha vida e não vai acontecer mais. que, na verdade, eu estou apaixonada, só que é outra paixão. que aquela paixão primeira, que a gente costuma ter aos 17 é única e não, ninguém vai ser igual e tão fantástico. que quando eu digo fantástico falo de fantasia e que fantasia é tudo o que a gente tem nessa época. que aos 22 não dá pra ser assim. que aos 22 a gente larga uma noite por uma tarde. que, assim, dormir se torna mais importante. que dormir fez toda a diferença. que quando você adormeceu no meu ombro na primeira noite, eu não quis me mexer pra você não acordar. que aquele foi o momento diferencial. que quando o c*** gritou pela manhã eu quis tapar a boca dele. que eu parei pra te observar dormindo. que eu paro sempre que posso pra te observar dormindo. que mais de sono que de sexo se constrói alguma coisa. que é a primeira vez que eu pareço - pra mim - construir alguma coisa. que estou num lugar onde nunca estive. que eu tenho medo que você se vá, como sempre tenho. que desa vez, por outro lado, prefiro que o faça a viver algo imposto. que na verdade, minha brincadeira nunca foi total. que eu inventei isso tudo.
sábado, 8 de maio de 2010
Percurso
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Livros
Se não há fuga da loucura e essa fará parte da minha vida: vou lê-la.
Aceito doações ou empréstimos da História da Loucura, Foucault, bem como alguns do Lacan. Alguém? Alguém?
Aceito doações ou empréstimos da História da Loucura, Foucault, bem como alguns do Lacan. Alguém? Alguém?
Começando tradicionalmente pelo meta-
[Tenho pensado 2138972398 mil coisas que eu queria escrever aqui, mas sempre que chego a um papel ou ao teclado: puft! sumiu. Agora estou assim, exatamente assim.
Pelo menos minha obra-de-arte dessa tarde (naturalmente feita no paint - porque não trouxe lápis-de-cor pra essa casa) tá guardadinha.]
Aliás, pensei sobre arte esses dias com um menino barbudo. A conclusão mais clara era que a arte dependia mais do artista do que dela própria. Talvez a obra fosse importante só pra fazer o artista ser exatamente isso. Acho que, pelo menos por enquanto, pra mim a arte depende de intenção e do afeto.
Ah, o tal do afeto... Nesse campo, parece que uma batalha foi vencida na última semana. A discussão interna de verdades e mentiras, franquezas e carinhos parece ter desenhado uma estética própria, mesmo que pudesse ter feito uma colcha-de-retalhos. Essa estética parece também estar sustentando um ser um pouco mais leve, que por isso, está flutuando levemente e com um campo de visão um pouco diferente. Cada um com sua dor, parece que essa cicatriz fez um volume embaixo dos meus pés e o lugar agora é outro - isso não é ruim.
Pelo menos minha obra-de-arte dessa tarde (naturalmente feita no paint - porque não trouxe lápis-de-cor pra essa casa) tá guardadinha.]
Aliás, pensei sobre arte esses dias com um menino barbudo. A conclusão mais clara era que a arte dependia mais do artista do que dela própria. Talvez a obra fosse importante só pra fazer o artista ser exatamente isso. Acho que, pelo menos por enquanto, pra mim a arte depende de intenção e do afeto.
Ah, o tal do afeto... Nesse campo, parece que uma batalha foi vencida na última semana. A discussão interna de verdades e mentiras, franquezas e carinhos parece ter desenhado uma estética própria, mesmo que pudesse ter feito uma colcha-de-retalhos. Essa estética parece também estar sustentando um ser um pouco mais leve, que por isso, está flutuando levemente e com um campo de visão um pouco diferente. Cada um com sua dor, parece que essa cicatriz fez um volume embaixo dos meus pés e o lugar agora é outro - isso não é ruim.
domingo, 25 de abril de 2010
Eu preciso
Primeiro de tudo voltar ou começar a escrever. Continuar meu projeto de ser saudável, talvez dançar. Carregar meu moleskine. Escrever sobre meus dois últimos dias em Buenos Aires. Arrumar os últimos presentes dessa viagem. Pensar ainda mais meus móveis. Ter responsabilidade e disciplina por um mês. E continuar esse texto fora do bar. De preferência, em um computador.
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
Eu estaria em aula, mas...
vocês não me deixam. eu nao queria dizer. mas queria sim. eu ainda lembro de voce todo dia e depois do ocorrido com mais pureza e talvez dor. voltou a primeira sensacao. queria poder brigar com voce. o que nunca fiz. mas agora faria. queria nem que fosse nosso sms. nosso 9090. qualquer codigo que dissesse que voce nao precisava disso. nem pra passar nem pra nao passar. agora fico falando com voce e sozinha. mas voces sao assim. me fazem isso. pelo menos eu sei que nao perdemos um segundo sequer. tendo os gasto com gargalhadas ou lagrimas.
domingo, 23 de agosto de 2009
Pausa
Por um momento minhas atividades de escritora estão suspensas ou, pelo menos, restritas. De vez em nunca, poderão ser apreciadas (ou não - pra sorte de todos) em www.cerebronosso.bio.br.
Por acaso, ontem foi publicado nesse site um comentário sobre o filme Amnésia (Memento), queria ver há séculos, mas o responsável por copiar o DVD não mais o fará. Agora, pelo menos sei um pouco sobre a questão científica da coisa. Acho que a outra parte nunca vou saber.
Pra mim, vai ser mais memória que amnésia quando assistir, mas eu vou.
Por acaso, ontem foi publicado nesse site um comentário sobre o filme Amnésia (Memento), queria ver há séculos, mas o responsável por copiar o DVD não mais o fará. Agora, pelo menos sei um pouco sobre a questão científica da coisa. Acho que a outra parte nunca vou saber.
Pra mim, vai ser mais memória que amnésia quando assistir, mas eu vou.
domingo, 26 de julho de 2009
Sobre Nuncas...
Comecei pensando que nunca o faria. A idéia foi sempre essa. Entretanto, os Nuncas têm a tendência de deixar de existir e de serem infinitos, ao mesmo tempo. Sendo assim, vale a boa surpresa. Dialogo com alegorias alheias que também não eram dirigidas a mim. Não há, entretanto, outra que combinasse melhor. No estilo e simplicidade.
Poderia ser um conto, que começaria:
"viviam em nuvens distantes P. e T., até que um dia suas nuvens se aproximaram e formaram uma só..."
Haveria um outro novo Nunca. Ainda desconhecido.
Poderia ser um conto, que começaria:
"viviam em nuvens distantes P. e T., até que um dia suas nuvens se aproximaram e formaram uma só..."
Haveria um outro novo Nunca. Ainda desconhecido.
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